A Liberdade do Homem
Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignida- de de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos.
"Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão" (Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição.
O homem é dotado de razão e por isso é semelhante a Deus: foi criado livre e senhor de seus atos
Liberdade e responsabilidade
A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados.
Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo.
A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade.
A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar.
Ela caracteriza os atos propriamente humanos.
Torna-se fonte de louvor ou repreensão, de mérito ou demérito.
Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre.
Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça.
A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à "escravidão do pecado"
O conhecer
O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos.
A imputabilidade e a responsabilidade de uma ação podem ficar diminuídas ou suprimidas pela ignorância, inadvertência, violência, medo, hábitos, afeições imoderadas e outros fatores psíquicos ou sociais.
Todo ato diretamente querido é imputável a seu autor:
Assim, o Senhor pergunta a Adão, após o pecado no jardim: "O que fizeste?" (Gn 3,13)- o mesmo pergunta a Caim.
A mesma pergunta faz o profeta Nată ao rei Davi, após o adultério com a mulher de Urias e o assassinato deste.
Uma ação pode ser indiretamente voluntária quando resulta de uma negligência quanto a alguma coisa que deveríamos saber ou fazer, por exemplo, um acidente ocorrido por ignorância do código de trânsito.
Um efeito pode ser tolerado sem ser querido pelo agente, por exemplo, o esgotamento da mãe à cabeceira de seu filho doente.
O efeito ruim não é imputável se não foi querido nem como fim nem como meio de ação, como poderia ser o caso de morte sofrida por alguém quando tentava socorrer uma pessoa em perigo.
Para que o efeito ruim seja imputável, é preciso que seja previsível e que o agente tenha a possibilidade de evitá-lo, como, por exemplo, no caso de um homicídio cometido por motorista embriagado.
A liberdade se exerce no relacionamento entre os seres humanos
Toda pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável.
Todos devem a cada um esta obrigação de respeito.
O direito ao exercicio da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, sobretudo em matéria moral e religiosa".
Este direito deve ser reconhecido civilmente e protegido nos limites do bem comum e da ordem pública
A liberdade humana na economia da salvação
Liberdade e pecado.
A liberdade do homem é finita e falível.
De fato, o homem falhou.
Pecou livremente.
Recusando o projeto do amor de Deus, enganou-se a si mesmo, tornou-se escravo do pecado.
Esta primeira alienação gerou outras, em grande número.
Desde suas origens, a história comprova os infortúnios e opressões nascidos do coração do homem por causa do mau uso da liberdade.
Ameaças à liberdade
O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo.
É falso pretender que "o homem, sujeito da liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos".
Por sua vez, as condições de ordem econômica e social, política e cultural requeridas para um justo exercício da liberdade são muitas vezes desprezadas e violadas.
Estas situações de cegueira e injustiça prejudicam a vida moral e levam tanto os fortes como os fracos à tentação de pecar contra a caridade.
Fugindo da lei moral, o homem prejudica sua própria liberdade, acorrenta-se a si mesmo, rompe a fraternidade com seus semelhantes e rebela- se contra a verdade divina.
Liberdade e salvação
Por sua gloriosa cruz, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado que os mantinha na escravidão.
“É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).
Nele comungamos da "verdade que nos torna livres".
O Espírito Santo nos foi dado e, como ensina o apóstolo, "onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2Cor 3,17).
Desde agora participamos da "liberdade da glória dos filhos de Deus".
Liberdade e graça
A graça de Cristo não entra em concorrência com nossa liberdade quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem.
Ao contrário, como a experiência cristă o atesta, sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem nossa liberdade íntima e nossa segurança nas provações e diante das pressões e coações do mundo externo.
Pela obra da graça, o Espírito Santo nos educa à liberdade espiritual, para fazer de nós livres colaboradores de sua obra na Igreja e no mundo.
"Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo, para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos a vosso serviço".
Catecismo


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